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Próximo dia 4 de Junho estreia em Portugal “Terminator Salvation”, a quarta entrega de uma da sagas mais marcantes do imaginário da ficção científica – 25 anos depois de Arnold Schwarzenegger ter dito uma das frases mais celebradas da sétima arte: “I’ll be back”.
Sem Arnold e sem o realizador James Cameron (“Terminator 1 e 2”, “Aliens”, “Titanic”), “Terminator Salvation” é sequela e prequela ao mesmo tempo da trilogia original. Confusos? Não se preocupem que tudo será explicado, nesta pequena retrospectiva a uma das séries mais inquietantes de Hollywood – uma batalha através do tempo e com a humanidade sempre em risco de extinção.
The Terminator (1984) Los Angeles, 2029. A cidade está em ruínas, os céus escurecidos com uma nuvem de fumo enorme. Esqueletos humanos por toda a parte. Máquinas caminham por entre os escombros.
Los Angeles, 1984. Dois homens aparecem em pontos distintos da cidade, emergidos de um bizarro incidente eléctrico. Sem hesitação, ambos correm para descobrir uma mulher chamada Sarah Connor. Um quer matá-la, o outro protege-la. E só um deles é que é um ser humano…
É esta a premissa de “Terminator” (O Exterminador Implacável), o filme de James Cameron que conquistou o mundo em 1984 e que ficou para sempre nos dicionários da ficção científica, do cinema e até do “léxico” mundial. Sim, do léxico. Quando o filme estreou na Polónia, o distribuidor local decidiu mudar o seu título para algo como “O Assassino Eléctrico” pois o termo inglês “Terminator” era foneticamente igual ao equivalente polaco de “O Aprendiz”. Quando em 1992 surgiu a sequela, o título já não foi alterado pois “Terminator” passara a significar em polaco “Arnold Schwarzenegger”.
Um robot a emergir do fogo – a inspiração James Cameron teve a ideia de ‘The Terminator’ quando estava na cama do seu hotel em Roma, doente, durante a pós-produção de ‘Piranha II’, a sua estreia na realização datada de 1980.
“Foi uma ideia que me atingiu e que cresceu muito depressa – todo o conceito. Levei muitos meses a definir as personagens, mas os detalhes do cenário e da acção surgiram de rompante”, recordou Cameron na promoção de ‘Terminator 2’.
Como criança, ele sonhava ser um artista de ‘comic books’, e justificou assim que todo o seu trabalho vem de ele ser um criativo muito visual. “Todo o conceito do ‘Terminator’ cresceu a partir da ideia de um robot a emergir do fogo”. Mas o “esqueleto metálico” que Cameron imaginaria teria que ser futurista, e em 1981 o jovem realizador sabia que não conseguiria financiamento para um filme nas linhas fantásticas e ambiciosas de outros filmes da época, como “Blade Runner”. Por isso, a sua ideia passou por “trazer o futuro até ao presente”, para que a sua visão de um robot em chamas pudesse ocorrer na actualidade. E aí surgiu a ideia das viagens no tempo, que viria a fascinar o realizador na altura de escrever o primeiro ‘draft’ do filme.
Inspirado por históricas de ficção científica como “I Have no Mouth and I Must Scream” de Harlan Ellison e “Second Variety” de Philip K. Dick (o autor do livro que deu origem a “Blade Runner”), Cameron viria a criar um mundo elaborado e fascinante, o qual viria a dar origem a outros filmes, uma série de TV (‘The Sarah Connor Chronicles’ de 2007), videojogos, séries bem sucedidas de ‘comics’ e toda uma legião de culto. Ellison chegou a processar Cameron por plágio – tendo tudo ficado resolvido com um crédito a “inspirado por ideias de”.
 No filme seguimos Kyle Reese, um soldado que viaja de 2029 para 1984 para salvar Sarah Connor, a futura mãe de John, o salvador da humanidade. No imaginário de ‘Terminator’, uma empresa chamada Cyberdine Systems cria, nos anos 90, a forma derradeira de inteligência artificial chamada Skynet, a qual provoca um holocausto nuclear. No mundo sombrio, onde as máquinas tentam dominar e escravizar a humanidade, John Connor é o líder de resistência. Por esses motivos, os robots enviam um “cyborg” (esqueleto metálico coberto de tecido humano) para matar a mãe de John andes de ele ter nascido. Como todos os filmes que envolvem viagens no tempo, ‘Terminator’ envolve muitos paradoxos de destino temporal. Kyle Reese e Sarah Connor têm uma noite de paixão onde concebem John (fazendo com que o homem este enviara para o passado fosse também o seu pai). Mais tarde, na sequela, descobrimos que o T-800 (robot assassino encarnado por Arnold) é a causa para a criação da super-tecnologia Skynet.
James Cameron criou assim algo mas do que um filme de acção musculado – criou todo um mundo e um conceito de ficção científica.
Bulldozer humano – o casting do ‘Terminator’ A ideia original de James Cameron passava por o ‘Terminator’ ser um vilão cuja força física não era visível. Ele queria que o “cyborg” assassino não parecesse invencível à primeira, e que conseguisse desaparecer numa multidão.
Por isso mesmo, a primeira escolha recaiu para Lance Henrickssen (série de TV “Millennium”), o protagonista do seu primeiro filme, “Piranha II”. Mas como não era um actor suficientemente conhecido, acabou por ficar num papel secundário. Curiosamente, Henrickssen viria a ser utilizado por Cameron em “Aliens” onde efectivamente fazia de cyborg.
A segunda hipótese foi o atleta/celebridade O.J. Simpson que acabou por não ser o escolhido para T-800 por ser “demasiado simpático” segundo Cameron. Longe estaria ele de saber que OJ viria a protagonizar um dos escândalos de homicídio mais conhecidos da história dos EUA.
Outra hipótese foi Jurgen Prochnow (“Das Boot”, “The DaVinci Code”), actor alemão com uma presença forte mas que na altura também não era muito conhecido. Em mais uma curiosidade, Prochnow viria a fazer de Schwarzenegger no biópico sobre o actor, “See Arnold Run”. Outro nome que foi falado para o filme foi Mel Gibson, fresco do sucesso de “Mad Max II”. Mas nunca passou de um rumor.
Numa fase mais avançada do casting, Michael Biehn esteve indicado para ser o Terminator, e a estrela emergente Arnold Schwarzenegger (vindo do sucesso de ‘Conan, o Bárbaro’) como o herói Kyle Reese. Ou seja, o oposto do que se veio a concretizar.
Foi num almoço de pré-produção que Cameron se apercebeu que o austríaco musculado que estava à mesa com ele é que tinha de interpretar o exterminador. Schwarzie não se convenceu bem ao inicio, pois temia interpretar mais uma personagem orientada para os músculos e para o físico. Mas Cameron fez-lhe ver que, enquanto Kyle Reese era mais um herói bem-intencionado, o ‘Terminator’ tinha potencial para ser um vilão icónico do cinema. Cameron justificou a sua escolha numa entrevista na altura de ‘T2’: “Eu estava particularmente fascinado com a cara de Arnold. Em ‘Terminator’ ele parecia um bulldozer humano sem nunca precisarmos de mostrar o seu corpo e os seus músculos, para além daquela cena de abertura”.
Uma escolha acertada. Os “dotes” de actor de Arnold fizeram com que ele mudasse a frase “I will be back”, como estava no guião, para “I’ll be back”, aquela que é provavelmente uma das frases mais conhecidas da sétima arte. Mesmo assim, a ideia de Cameron de ter Schwarzenegger como herói viria a ser recuperada nos anos 90, na sequela ‘Terminator 2: Judgment Day’ e no sucesso ‘True Lies’ (A Verdade da Mentira).
Um sucesso mundial
Tendo custado apenas 6.4 milhões de dólares a fazer, “The Terminator” conquistou 78 milhões na sua exibição mundial. Na sua estreia em 1984, as críticas foram muito positivas, tendo sido considerado um filme de acção muito eficaz e imaginativo. A revista Time considerou-o um dos 10 melhores filmes de 1984.
Vinte e cinco anos volvidos, o filme ainda vende DVDs, passa frequentemente na televisão e é considerado, junto com “Blade Runner”, como o berço do “Tech-Noir”, género que combina a ficção científica com o “cinema noir”. Outros títulos deste género incluem “Dark City”, “Ghost in the Shell” e a trilogia “Matrix”. Apesar de “The Terminator” ser um título que nos parece muito familiar nos dias de hoje, ele era um filme original e revolucionário na altura. Uma mistura explosiva e original para a época: uma história de amor no limite, cyborgs, viagens no tempo e cenários apocalípticos. Ainda o ano passado, “The Terminator” foi considerado “culturalmente, historicamente e esteticamente significativo” pela Livraria do Congresso, uma entidade do Arquivo de Cinema dos EUA, que visa preservar para a eternidade os filmes mais importantes.
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